segunda-feira, 29 de junho de 2009

De Mario de Sá - Carneiro

" Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar
Nem dei pela minha vida.

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada
Sequinha, dentro de mim.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que nunca sonhei!...)"